Nunca é tarde para quem quer aprender

maio 1, 2008 at 9:01 pm (Sem-categoria)

A necessidade de trabalhar cedo por motivos financeiros é o grande motivo do abandono da sala de aula, anos se passam e o desafio de tentar se alfabetizar é constante mas não para aqueles que enfrentam de frente esta oportunidade ímpar que todos nós temos o direito:a educação. Senhores da melhor idade enfrentam o tempo no intuito da aprendizagem voltando as classes, ou mesmo em projetos que visam alfabetizar quem não teve esta oportunidade. Um exemplo desses projetos é realizado por uma professora em parceria com o PROAJA, programa  da Prefeitura de Porto Alegre, o projeto  visa a alfabetização de jovens e adultos na zona sul da capital.

O projeto iniciado no começo de abril deste ano  em uma sede improvisada nos fundos da paróquia Nossa Senhora da Misericórdia no bairro Restinga, as aulas acontecem três vezes por semana (terça, quarta e sexta-feira), sempre caracterizada pelo alto astral de seus alunos.

Até o momento frequentam 19 alunos na faixa de 60 a 88 anos,  há também uma única jovem de 22 anos. A maioria dos alunos possuem grande dificuldade por não saberem nem formar uma única palavra . Para facilitar o método de aprendizagem daqueles que realmente são analfabetos  a professora separa os alunos em duas mesas pelo grau de dificuldade em aprender os alunos que não tem nenhuma noção de ensino ficam a frente dos que já possuem alguma noção e isso facilita o ensino de ambas as partes.

 

Dona Evaneci, estudou até a terceira série há cinco anos atrás, hoje ela é uma das alunas do projeto

A professora Juçara Souza Silva, 49 anos, diz que tem vocação em ensinar e que percebeu anos atrás quando dava aulas de catequeze, isso a motivou a cursar magistério, depois de formada começou a lecionar para os alunos de séries iniciais, pouco tempo depois foi convidada pela  uma  ONG  a alfabetizar pessoas de idade mais avançada, onde permaneceu durante dois anos, sempre trabalhando na sua comunidade-Gosto do que faço e me alegro com o retorno do meu trabalho seja através da alfabetização dos meus alunos, ler, escrever vejo a alegria em seus olhos pelo orgulho de estar aprendendo a ler simplesmente uma palavra de duas sílabas, a emoção de assinar o próprio nome, isso me realiza e me dá força para continuar a ensinar, diz a professora.

 

Além do prazer de ensinar a prafossora atualmente esta cursando a faculdade de letras para estar apta a lecionar para turmas do esnsno médio

Vídeo dos alunos fazendo uma tarefa:

 

Para o aposentado Paulo Rosa, 70 anos, um dos alunos do projeto, este trabalho ressalta a impotância de aprender a ler e escrever o que não houve a oportunidade pois teve que abandonar no primeiro ano de escola para trabalhar na lida no interior, mais tarde aos 17 tentou novamente ingressar nos estudos e novamente não conseguiu por motivos financeiros, agora ele afirma-Nada mais há de me atrapalhar em aprender escrever que é minha maior dificuldade pois ao longo da minha vida aprendi a ser bem informado e saber de diversos assuntos, diz o aluno.

Bem diferente é o caso de Maria Angélica que nunca foi a escola por não ter condições financeiras e desenteresse de sua família, agora com 22 anos e três filhos resolveu se dar novamente uma chance a começar a aprender tudo isso porque há dois anos atrás, em sua primeira tentativa de estudar, ela foi vítima de uma bala perdida e teve que adiar os seus estudos. Perguntado a ela o porque de não freqüentar uma escola realmente a aluna afirma que tem muita vergonha porque se acha muito velha para estudar na primeira série. E o que será que ela pretende fazer após a conclusão do curso? Tive o silêncio como sua resposta.

 

Maria Angélica tem vergonha de ser “velha”, por isso não quer estudar numa escola

O projeto tem duração prevista de seis meses os alunos são avaliados e recebem após a conclusão do curso o certificado reconhecido pela SEC (Secretaria da Educação), que irão encaminha-lás á escola. Porém a professora ressalta que a maioria deles acabam não indo para a escola por motivos de vergonha por serem velhos. Caso o aluno concluir o curso e não querer ingressar na escola poderão participar de outra etapa no qual o grau de dificuldade de ensino será mais avançado.

 

 

Os interessados em participar deste projeto é só comparecer na Paróquia  Nossa Senhora da Misericórdia, na avenida João Antonio da Silveira, 2.254 (Restinga), procurar por Jussara , munidos com a carteira de identidade para a realização da inscrição.

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